segunda-feira, 4 de abril de 2011

SOPROS AFINADOS


Ontem, 3 de abril, no Palácio da Música, ouví dois grupos formados a partir da Banda 16 de Agosto, da prefeitura de Teresina. Fundada em 1968, esta Banda tem sido presença marcante no cenário musical da cidade. Agora surgem pequenos grupos derivados da grande banda, com um repertório mais eclético, flexível, contemplando todos os estilos musicais.
O quarteto de Sax, integrado pelos simpáticos músicos Flaubert- Sax tenor , Jardel-Sax alto, Gustavo-Sax barítono, e Melquezedeque - Sax soprano e clarinete, além do afinadíssimo quinteto de sopro, brindaram o bom público presente com uma música agradável de ouvir.
Em matéria de sopros, nossa Teresina está bem servida. O Maestro Antonio Marmo Linhares, orientador dos grupos, tem feito um excelente trabalho. Aproveito a oportunidade para louvar o empenho incansável do Maestro Rocha Sousa, professor de qualidade, músico competente, que tem sido o grande impulsionador das Bandas de Teresina. Gostaria de ver maior apoio por parte do poder constituído -Governo e Prefeitura- ao trabalho constante desse grande piauense!
Parabéns aos grupos, e bola prá frente! Um dia verei uma Orquestra Sinfônica de verdade, afinada e completa em sua constituição instrumental. Sopros de qualidade? Já os temos!


domingo, 20 de fevereiro de 2011

ROBERT SCHUMANN

Corria o ano de 1959.Tinha meus 13 anos de idade quando aconteceu o Concurso Internacional de piano do Rio de Janeiro. Ainda em Maceió, acompanhei-o pelo rádio (um imenso e sensacional Transglobe a pilha), aconchegado ao lado de minha mãe, grande incentivadora de meus estudos do instrumento. Ficaram-me na memória as participações de Byron Janis e, evidentemente, do grande vencedor, o húngaro Peter Frakl, então com 24 anos. A peça de confronto, obrigatória para todos os participantes, foram os Estudos Sinfônicos, Op.13 de Schumann (1810 - 1856). A magia daqueles momentos permanece intacta no fundo de minh'alma. Sem conhecimento técnico musical suficiente para análise da estrutura formal e outras coisas que saberia muito depois, deixei a música fruir em meu interior, livre de quaisquer amarras, solta dentro da pura emoção ( hoje sei que somente assim se atinge a essência da música!). A interpretação de Peter Frankl foi primorosa, e o delírio do público fez com que Arnaldo Estrela(meu futuro professor) reabrisse o piano que um funcionário do teatro já fechara , para que o pianista executasse extras. Já na década de 70, morando no Rio de Janeiro, tive a oportunidade de ouvir e conhecer de perto Peter Frankl, meu grande ídolo da adolescência. Os Estudos Sinfônicos Op.13 para piano foi dedicado por Schumann a seu amigo inglês William Sterndale Bennett. Escrita em fins de 1834 e apresentada em Viena em 1837, é obra de importancia pianística e musical excepcionais. Schumann, insatisfeito com o título, modificou-o em 1852, chamando-o de " Estudos em forma de variações para piano". O motivo principal com que se inicia a obra (motivo que Schumann julgava ser pobre musicalmente) é do Barão de Fricken, flautista amador, pai de Ernestina, por quem o compositor se apaixonara. Compor uma obra a partir de um tema composto pelo genitor de sua amada era a suprema forma de cortejá-la. A peça se desenvolve em 12 variações livres, românticas, longe do esquema composicional clássico, com um finale brilhante. Há também 5 variações póstumas, que alguns pianistas incluem em suas gravações. Schumann achava que suas variações estavam além da compreensão do público. Em março de 1838, em carta a sua nova e definitiva amada, Clara, grande pianista, escreve: "Você fez bem em não tocar os Estudos Sinfônicos em concerto: eu não os escreví para o grande público e seria absurdo ele aceitar e querer o que não compreende. Se, um dia, o público, delirante, quebrar a cabeça contra as paredes de tanta admiração depois de você os ter tocado, isto será para mim motivo de grande alegria...os compositores, veja você, são cheios de vaidades, mesmo quando não têm razão para tê-las..." Schumann enganou-se. Os Estudos Sinfônicos são hoje uma das mais queridas e ouvidas obras do repertório pianístico !

No link abaixo, ouça o tema principal que deu origem às variações:

domingo, 13 de fevereiro de 2011

NONATO LUIZ: UM VIOLÃO DE SONHOS!

Nonato e Mário Sérgio


Sou suspeito para falar sobre Nonato Luíz. Conheço-o desde a década de 70, em Fortaleza, e passamos inesquecíveis momentos musicais em minha casa, sempre regados a uma boa cachaça.
Em 1977 fomos a Campos de Jordão, durante a realização do Festival de Verão (atualmente em sua 41ª edição) onde, sob a direção de Dr. Hugh Ross e Eleazar de Carvalho e OSESP, fizemos parte do coro que apresentou a 9ª de Beethoven. Na ocasião, conheceu Turíbio Santos. Ouví-o, portanto, centenas de vezes, e participei da elaboração da partitura de uma de suas peças musicais, "La concordanza", em parceria com o grande músico cearense Tarcísio José de Lima.
É difícil falar sobre Nonato Luíz. O violão, ao tocar, passa a ser parte integrante de seu corpo. Um imenso prazer de tocar estampa-se no permanente sorriso que paira em seu rosto, iluminando o ambiente e ouvintes com uma aura que transmite paz, segurança técnica absoluta e uma sonoridade soberba. Cada corda, em Nonato Luiz, tem vida própria. A melodia perpassa entre elas, sempre evidente e clara. Jamais os riquíssimos acordes sufocam-na. A música de Nonato Luiz remete à renascença. Seus temas são repetidos sempre com uma roupajem nova e dinâmica. A forma de construçao musical - A B A - torna-a de fácil assimilação. A sonoridade de seu violão é variada, passando de sons metálicos aos velados sempre de maneira equilibrada e progressiva. Seus incríveis arranjos de nossa MPB e, especialmente, os de temática nordestina, quando evidencia o modalismo medieval além de outras características melódicas próprias de nossa música , são prova incontestável de que sua arte é como sensível antena a captar ecos de um passado longínquo mas ainda fortemente presente na alma de nossa gente.
Ouvir a música de Nonato Luiz é sentir a alegria de viver de um grande músico que faz de seu instrumento o seu principal veículo de comunicação. Ouvir Nonato Luiz é vivenciar emoções profundas e variadas, inesquecíveis em seu conteúdo. É, acima de tudo, aprofundar a crença na grandeza da Arte e da criação humanas.

Confira no link abaixo, um exemplo da arte de Nonato Luiz.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

VOCIFERAR OU CANTAR?

A 1ª Igreja Batista de Teresina promoveu em 13 de novembro de 2010 o seu II Encontro de Coros. Iniciativa extremamente louvável da Igreja e de seu Pr. Gilvan Barbosa. Teresina tem se desenvolvido muito neste setor com vários corais sendo criados em escolas, igrejas e empresas, estimulando a arte vocal e gerando fortes laços de companheirismo e responsabilidade grupal entre seus componentes.
Cantar em grupo é manter a mais absoluta disciplina. Salvo quando há solistas, não há individualismos no canto Coral. Todos devem primar pela perfeita sincronia entre as vozes, atendendo religiosamente às intervenções gestuais e interpretativas do Regente.
Aí, entretanto, está o nó górdio da questão: a preparação insuficiente e inadequada dos regentes, transmitindo aos incautos coralistas toda sorte de defeitos e vícios que transformam uma simples peça musical numa sucessão torturante de desencontros e desencanto. A preparação de um verdadeiro Regente Coral inclui além do domínio completo das linguagens musical e gestual, conhecimento vasto de História Geral, História da Arte, e solidez de saberes sobre estilos, técnica vocal etc. Cultura geral, portanto, é imprescindível para um convincente desempenho musical do Regente e de seu grupo, e essencial para a interpretação correta das músicas.
O Coral Jovem da Igreja Batista de Codó, MA, sob a direção de Francisco Leal foi um horror! Vociferantes, os coristas berravam desordenadamente, concorrendo ente si na desigualdade de intensidades e afinação, com vozes esganiçadas e supremamente desagradáveis. Somente a tolerância de um Deus para perdoar tal descalabro musical. Culpa da ignorância e despreparo completo do sr. regente.
O nível mudou radicalmente quando da apresentação do Madrigal Contraponto e do Coral da Assembléia de Deus , trabalhados e regidos por Jeonai Batista. Rapaz estudioso, bom instrumentista, é um dos felizes herdeiros do competentíssimo trabalho desenvolvido pelo Prof.Dr. Vladimir Silva, quando à frente do magnífico Madrigal da UFPI. Aliás, o Madrigal Contraponto é integrado por remanescentes do coral de Vladimir. Vozes bem colocadas, dinâmica correta, encantou-me ouvir a difícil "Chant des oiseaux" de Clement Jenequin. O Coral Jubilai está em bom caminho. Gostei especialmente da peça "Calma, mansa, serena", em adaptação minha, do excelente grupo Adventista "Arautos do Rei". Muito tem a melhorar o coral da própria Igreja Batista, promotora do evento.
De qualquer modo parabéns pela iniciativa. Que outros encontros aconteçam e que outros Jeonai surjam no cenário da música coral de Teresina, para a satisfação e felicidade dos ouvidos sensíveis...!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mário e Maria

MÁRIO MARROQUIM E A MÚSICA



Em 22 de março de 1996, em suplemento, foi publicado um caderno especial sobre a vida e obra de meu pai, Mário Marroquim, em comemoração ao centenário de seu nascimento, pelo O JORNAL, em Maceió-Al. Sendo músico, fui encarregado de escrever sobre sua atividade nesta área. Esta foi uma das múltiplas faces da vasta cultura de Mário Marroquim que, além da música, envolvia a poesia, arqueologia, antropologia, política, magistério, advocacia, filologia. Autor de "A língua do Nordeste", com prefácio de Gilberto Freire, livro ainda hoje referência para quem estuda os linguajares de nosso país, em muito enriqueceu o estudo do nosso idioma. Eis o artigo que escreví para o jornal:

Ao ouvir a pequena mas belíssima obra musical de Mário Marroquim, torna-se necessário refletir sobre as fronteiras impostas pelos críticos e pelo próprio público, divorciando a música erudita da música popular. Alguns acham que o erudito, a música de elite, deve ser vista e analisada isoladamente, pois suas estruturas formais complexas, fruto intelectual de compositores plenos de gênio, assim o exigem. É música para gostos refinados, treinados e desenvolvidos, bem diferente daquela outra, popular, simples em sua concepção, oriunda das ruas, fácil de assimilar e entender.
Formalmente, são evidentes as diferenças: uma se aprofunda tematicamente, se subdivide em muitos movimentos, utiliza rítmos e andamentos variados; a outra, geralmente monotemática com refrão, prima pela simplicidade. Nem por isso, no entanto, o belo deixa de ser expresso. Ambas traduzem estados de espírito com infinitos matizes, inspiradas em variadíssimas fontes.
Na verdade, há boa e má música, independentemente do do gênero ou época em que foi escrita. É necessário derrubar as barreiras forjadas pelos puristas, a separar os dois tipos de música.
A arte erudita se inspirou largamente nas manifestações populares e folclóricas, cortejando seus rítmos e melodias, dando-lhes roupagens, camuflando-se em suas complexidades. A valsa, por exemplo, um dos pontos fortes da obra de Mário Marroquim, surgiu a partir do "weller", dança camponesa alemã, e do "Leandler", dança tirolesa austríaca, duas manifestações notadamente populares. No entanto, no decorrer do tempo, Berlioz, Mozart, Ravel, Strauss e dezenas de outros compositores introduziram valsas instrumentais em suas obras. A valsa, no princípio dança, evoluiu para peça instrumental e, por fim, poesia e música.
No Brasil, sobretudo no II Império, a modinha, o fado, o tango, a canção, a valsa, o romance, adentraram os salões aristocráticos onde danças e jogos europeus eram cultivados. A concomitante invasão do piano, instrumento celebrizado por Liszt e Chopin, e que passou a ser, ao lado do bandolim, a prenda maior de toda moça educada e fina, tornou possível introduzir em camadas sociais mais altas, gêneros musicais de uso popular.
A música de Mário Marroquim se explica nesse universo. Compôs fados, canções, tangos, valsas, e até uma opereta. Musicou versos seus e de amigos, sempre com aguçada sensibilidade. Advogado e professor, dizia sempre que "neste País, a música não leva ao mercado", numa alusão ao sentido amadorístico que dava às suas atividades musicais. Compôs pouco, mas com profundidade e qualidade. Suas valsas para piano solo, com diversas seções, procedimento formal da época, guardam uma unidade psicológica impressionante. Há sempre uma coerência temática, uma hábil e inspirada condução melódica e harmônica. Música tecnicamente simples, mas repleta de beleza. Para voz, suas valsas se elevam ao lírico e suas frases musicais, lânguidas, sensuais até, casam-se prosodicamente com as intenções do texto, lançando-se para os agudos nos momentos de tensão, aplacando-se suaves, repousando nas calmarias do poema. Na valsa "Jardim Secreto", por exemplo, a melodia ascende quando o texto sugere estar o jardim "aclarado em fulgores tropicais", para ceder aos poucos na afirmação do poeta:"aquí esteve a mais linda das Marias...". Esta adequação da música à letra, raríssima em nosso repertório cantado, popular ou não, encontra em Mário Marroquim um exemplo de correta execução.
Mário Marroquim foi um artista preso à sua época. Não desbravou novos caminhos musicais. Repetiu, com talento e bom gosto, o que o seu tempo propôs. Fez a boa música. Possuidor de uma memória extraordinária, ouví-o, dezenas de vezes, reproduzir ao piano a trilha sonora das "fitas" a que assistira. Melodista fértil, fascinava os amigos improvisando peças inteiras a partir de três notas aleatórias sugeridas por estes.
A Música, sabe-se, não levou Mário Marroquim ao mercado, mas levou-nos a todos, sem excessão, a admirá-lo por sua arte, apenas moldura a contornar suas verdadeiras atividades profissionais, mas que o transportou à condição de grande pessoa humana que foi.

Frederico Marroquim.

Veja nos links abaixo duas valsas de Mário Marroquim.

http://www.youtube.com/watch?v=kojt49vvFTg

http://www.youtube.com/watch?v=_sRyzdgW5V4

sábado, 22 de janeiro de 2011


MEU OUTRO AMOR

Nos anos 80 surgiu Ritinha, minha esposa, mãe de Mário e Maurício, filhos queridos, e que foi (e é...) musa inspiradora de várias canções. Entre elas está Canção para Rita, com letra do saudosíssimo amigo poeta Ramsés Bahury Ramos, cujo teor escrevo à frente:

Muito tempo eu procurei
Um alguém prá chamar de amor.
E hoje eu sei que encontrei
O amor, meu amor é você...

Quanta alegria em meu coração,
Felicidade chegou, e então,
Se um dia eu lhe perder
Morrerei, ai meu Deus, solidão...

Vivo agora feliz
Com a vida que sempre sonhei.
Você é tudo o que eu quiz,
Meu amor, meu bem, meu querubim...

Escutem no link abaixo Canção para Rita, com o Duo Allegro Giusto:


DUO CAMERÍSTICO "ALLEGRO GIUSTO"

O nome do duo foi sugerido (e aceito) por uma grande pianista pernambucana, Andréia da Costa Carvalho, amiga de infancia, primeira namorada e primeiríssimo amor... Após ouvir Caio Michel Cardoso da Silva, violoncelista, participando de um quarteto de cordas em concerto na Casa da Cultura, e em sendo um apaixonado pelo timbre do Cello (que mais se aproxima da voz humana), resolvi convidá-lo para tocar comigo. E formou-se então o Duo Camerístico em 2006, que se apresentou no Teatro João Paulo II, em várias ocasiões no auditório do CEFET (hoje IFPI), além de recitais em Floriano e Picos. Com um repertório rico e variado, sempre agrada a quem o ouve. Apreciem esta peça chamada "Longe", composição minha dedicada ao primeiríssimo amor, composta no Rio de Janeiro em 1971 (há tantos janeiros...), cuja letra postarei em outra oportunidade. Fiquem com a melodia e com nosso Duo...

http://www.youtube.com/watch?v=dz4pXXWo8bo

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Orquestra de Câmera da UFPI


ORQUESTRA DE CÂMARA DA UFPI

Tive a oportunidade de assistir, em 25 de novembro de 2010, a uma interessante apresentação da Orquestra de câmera da UFPI, sob a regência do talentoso Cássio Martins, além do Coro Laetitia Spes da Faculdade Camilo Filho junto ao coro do DMA, com preparação vocal de Deborah Moraes. No repertório, um Glória do compositor Francisco Libânio Colás ( São Luis-1830/Recife- 1885) num resgate musical realizado pelo Prof. Dr. João Berchmans, e uma interessantíssima Comédia Musical "Uma véspera de Reis", com texto de Arthur Azevedo e música de Colás, num trabalho fantástico de pesquisa de João Berchmans. A orquestra, especialmente nas peças de Mozart, mostrou uma sonoridade muito boa, com uma dinâmica louvável, com contrastes de intensidade excelentes. Cássio Martins, violinista formado, tem uma regência segura e clara, gestualmente convincente, olha para o grupo, rege de cor e, acima de tudo, cuida muito bem das cordas friccionadas e suas arcadas. O grupo demonstrou unidade e em nenhum momento "cobriu" as vozes dos solistas. É gratificante saber que agora há músicos bem preparados em Teresina para conduzir e preparar nossos jovens, mostrando-lhes que fazer música está muito acima de possuir habilidade manual, ou uma boa voz. Fazer boa música é conhecer os caminhos ( e são tantos...) para uma fiel interpretação, respeitando estilos e traduzindo em sons os mais profundos estados d'alma. É, enfim, comunicação.
Parabéns à Orquestra, ao Regente, ao pesquisador e, além de todos, ao grupo de alunos que tão bem soube demonstrar o quanto apreenderam de uma orientação segura e competente!

Retorno!!!

Alô, amigos!

Reativando o Blog. Agora aposentado, restam-me tempo e disposição para escrever sobre assuntos variados, na tentativa de somar minhas experiências e vivências musicais à cultura de nossa terra e gente. Espero colaborar e receber comentários e sugestões. Obrigado.
Fred Marroquim

segunda-feira, 29 de junho de 2009

GRUPO DE DULCITAS

No dia 28 de junho, sob a regencia de Beetholven Cunha, tive a alegria de ouvir o grupo de flautas "Sopro Divino". Teatro João Paulo II com apenas 15 pessoas. Grupo de crianças e adolescentes preparados por Nivaldo Nascimento, sopram os quatro naipes de suas flautas com a suavidade e precisão dos que são bem orientados musicalmente. Som redondo, equilibrado. Desencontros rítmicos aconteceram, o que é natural e ocorrente em jovens que somente agora tomam contato com a arte musical. É importantíssimo frisar que o realmente relevante é o fato de terem realizado Música, na verdadeira acepção da palavra. Naipes equilibrados, sonoridade obedecendo às nuances exigidas pelos estilos. Fomos da Renascença ao contemporâneo, com a surpreendentemente tonal "Filium Dei Unigenitum" de nosso Beetholven Cunha, sabidamente envolvido com as novas estéticas e linguagens do século XX.
Lamentável, em todos os sentidos, foi ver o teatro vazio! Nossas autoridades nada fazem para contornar o problema. Bastaria agendar com colégios do estado e município, arrumar uns ônibus, e proporcionar aos alunos um concerto de real valor, com jovens tocando para jovens, despertando curiosidades, suscitando o surgimento de talentos musicais. Seremos, assim, e sempre, a terra do nunca, afogada no vazio cultural. Nas ruas, apenas os grandes festejos juninos e a famigerada Micarina, com a mídia totalmente envolvida em levar multidões para ver e ouvir música de péssima qualidade! Até quando nós, os músicos desta terra, suportaremos tamanhas barbaridades contra a cultura? Até quando tocaremos para as cadeiras dos teatros e auditórios dessa cidade?
Fica, pois, mais uma vez, meu incentivo ao trabalho de Beetholven Cunha e Nivaldo Nascimento que, com o apoio da Fundação Monsenhor Chaves, teimam em realizar esse trabalho insano de espalhar sementes, na esperança de que caiam no terreno fértil, no coração talentoso de alguém que os ouça.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

ENFIM, MÚSICA !
Madrigal da UFPI

O público teresinense teve ontem à noite, na Catedral das Dores, a rara oportunidade de apreciar um grande espetáculo musical. O Madrigal da UFPI e o Coro feminino, sob a regência do Professor Dr. Vladimir Silva, nos brindaram com música de primeira qualidade. Obras de nosso Reginaldo Carvalho, Samuel Cavalcanti (ótimo pianista!), Jaime Ovalle, Janequin, Schubert, entre outros, acompanhados por orquestra de câmera, junção de instrumentistas de Teresina e Campina Grande.
Vladimir Silva é um Maestro, na verdadeira e mais profunda acepção da palavra. Gestos perfeitos e plenos de sentido, imensa capacidade de interagir com o grupo, rege dos pés à cabeça, com todo o corpo. O resultado musical é um coro equilibrado, com entrosamento entre os naipes, com uma sonoridade sublime, dinâmica e terminações de frases beirando à perfeição, indo do pianíssimo ao fortíssimo com extrema facilidade. Os solistas, sem exceção, muito bons. Um coral sem "estrelas" mas onde todos fulguram todas as luzes, cada qual em seu devido momento, atento e concentrado, sob a regência inteligente de Vladimir Silva.
O nome disso? Competência! Reger não é apenas agitar os braços, marcar compassos, dar as entradas corretamente. Reger é conhecer profundamente História da Arte, estilos musicais além, é claro, de muita música. Reger é interpretar a obra, é traduzir em sons toda a essência de suas vivências e sensibilidade. Reger é incorporar tudo isso e passar essa energia ao bem preparado grupo musical. E o resultado é música, essa arte que comove, eleva, faz transcender a alma humana. E Vladimir Silva, junto com seu coro, passeia sua competência por estilos que vão da Renascença à música contemporânea.
Fiquei feliz em rever tantos amigos e amigas entre os coralistas, que iniciaram suas jornadas artísticas no Coral do CEFET, sob a minha regência. Integrando agora esse Madrigal fantástico, certamente estão eternamente enriquecidos com o maravilhoso contato com a grande arte musical.
E a você, Vladimir Silva, meus votos de uma ascenção vertical em sua grata Arte, para a felicidade de todos os que o ouvirem reger. Parabéns !

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

OBRIGADO, KENARD !

Transferí para meu blog o comentário de Kenard Kruel sobre essa antiga foto (1981). Saudades imensas me acometeram ao rever Raimundo Pereira que à época ainda era barítono, e sobretudo meu querido Joãozinho, soprano(!!!), filho de Volta Seca, cangaceiro de Lampeão que, após o massacre de Angicos, mudou de nome, trabalhou nos Correios, morou toda a vida no Parque Piauí, e morreu em São Paulo. Passei interessantíssimas horas com o pai de Joãozinho, João Cordeiro de Jesus (Olhem a ironia do nome que escolheu!), sabendo detalhes de sua vida no cangaço, vendo fotos, indumentárias, e manuseando a famosa "Papo Amarelo", cheia de tracinhos a indicar o número de adversários abatidos. Dia de finados, vários anos seguidos, acompanhei a angústia de Volta Seca, lamentando seus feitos do passado, invadindo o quintal com velas, a reclamar o perdão de Deus.
Joãozinho é formado em Enfermagem, mora em São Paulo, e nos visita regularmente. Com a morte da mãe, D. Dasinha, suas visitas certamente se tornarão mais raras.
Obrigado, Urso hibernador, por me fazer relembrar tantos momentos felizes!

Tempo, tempo, tempo

Fred Morroquim, o regente nota 10 do Piauí (importado de Maceió), fazendo o que ele mais gosta de fazer, depois de pianar, beber, comer e dormir (não necessariamente nessa ordem dos tratores). Foto sem crédito (mas, ele tem).

sábado, 20 de dezembro de 2008


BEETHOVEN ( II )


Assistimos, dias 16 e 19 de dezembro deste A.D. de 2008, na Igreja das Dores, a aparesentação de Natal da O.S.T., sob a regência de Aurélio Melo, coral e solistas. A 9ª Sinfonia de Beethoven (1º e 4º movimentos) foi executada. Preferí a estréia à segunda apresentação. Aliás, foi rematada loucura cantá-la quatro vezes no curto período de uma semana, pois a obra puxa muito pelo corpo coral e solistas.
Diante da complexidade da peça, fiquei positivamente surpreendido com os resultados obtidos, especialmente o grupo coral, que sustentou bravamente os trechos mais difíceis. O quarteto de solistas, porém, deixou muito a desejar, mormente onde cantam conjuntamente. Entre os compassos 830 e 842 da partitura usada, o quarteto quase comprometeu toda a performance, quando a soprano, Lúcia Alvino, em trecho ascendente, não atingiu o si 4, arrastando os companheiros de quarteto à desafinação. O trecho nos diz: "Alle Menschen werden Brüder, Wo dein sanfter Flügel weilt" (Todos os homens irmanam-se, lá onde resvala tua branda asa) . Além disso houve muita desigualdade de volume. Ouvia-se mais o soprano e o barítono (Aislan Leal). O tenor, José Ailton, no que pese a bela voz, pouco brilhou onde deveria brilhar. Quase não se ouviu a mezzo-soprano Luana Campos. O substituto de Aislan Leal, barítono Ananias Júnior, já no Recitativo inicial, nos brindou com uns "portamentos" (condução, deslizamento entre duas notas) inaceitáveis. Quarteto de vozes fraco, portanto.
A orquestra deve seus desencontros rítmicos, suas falhas de afinação e falta de brilho sonoro. (especialmente as cordas). O regente, finalmente, se desligou da partitura e olhou mais para seus comandados. As madeiras precisam "desentupir" alguns de seus instrumentos mas, em compensação, os metais foram bem. A percussão, em certos momentos, "cobriu" toda a massa sonora da orquestra com seus excessos.
Feita a crítica técnica, estritamente musical, construtiva, resta-nos elogiar a iniciativa, louvar os preparadores Débora Oliveira e Hilson Costa, a ousadia de José Reis - este batalhador em prol da cultura piauiense - , o esforço de toda a orquestra, regente e coral.
Certamente a 9ª de Beethoven, pelas suas dificuldades técnicas, só veio somar para o desenvolvimento musical dos que dela participaram, além de enriquecer a vida cultural de nossa cidade. Parabéns!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

EXERCENDO A FUNÇÃO...


Duo Camerístico Allegro Giusto, em ensaio.

TRAJETÓRIA ARTÍSTICA

Frederico Marroquim nasceu em Maceió, em 1946. Aos cinco anos inicia seus estudos de piano com Lulne Medeiros e Hilda Calheiros. Filho de compositor e pianista, o ambiente familiar culto o desenvolve sobremaneira. Aos 16 anos vai estudar em Salvador-Ba.nos Seminários Livres de Música da UFBA, sob a tutela do professor suíço Pierre Klose. Segue para o Rio de Janeiro, onde se inscreve na Proarte, na classe de Heitor Alimonda. Posteriormente Íris Bianchi e Arnaldo Estrela o orientam, além de aulas teóricas com Ester Scliar. Começam aí seus concertos públicos.De volta à Bahia, Fernando Lopes é seu mestre, além de Ernest Widmer e Sebastian Benda. É colega dos músicos Jamary Oliveira, Lindembergue Cardoso e Marco Antonio Guimarães. Começa a reger e participar de corais. Volta a Maceió para dirigir o DCC (Departamento de Ciência e Cultura) do governo do Estado, quando promove intensa atividade artística na cidade. Forma-se em piano pela UECE de Fortaleza, e radica-se em Teresina, Piauí, à convite da ETFPI (atual CEFET) para reger o Coral daquela escola. Cria e rege o Madrigal “Ars Antiqva”, o Coral do Cristo Rei, o Coral da AGESPISA,TELEPISA, além do Coral SELOENCANTO, dos Correios. Representa o Piauí em cinco FEMACO (Festival Maranhense de Coros) e participa de encontros FUNARTE de Regência Coral em Brasília, Vitória e Londrina. Rege em Belo Horizonte e Maceió, além de Anápolis, onde também é jurado do V Concurso Nacional de Piano “Orestes Farinello”ao lado de Volga Lena e Eudóxia de Barros. Participa de inúmeros concertos acompanhando Maristela Gruber, Lindaura Carvalho e Raimundo Pereira. Agraciado com a medalha “Conselheiro Saraiva” da Prefeitura de Teresina, pelos serviços musicais prestados à cidade, é, além de Regente do Coral do CEFET, professor de História da Música, Piano, Percepção musical, Prosódia e Etnomusicologia do Curso Técnico em Música do CEFET – PI. É arranjador de YANTRA, banco de partituras sediado no Rio de Janeiro. É compositor e teve músicas gravadas em CD na Rússia pela soprano Elena Obraztsova, e tem em Maristela Gruber sua grande divulgadora na Espanha. Grava, ainda em 2004, CD com obras de Mário Marroquim, seu pai .No CEFET, em convênio com a Secretaria de Educação do Estado, desenvolve um projeto de recitais didáticos, tendo feito 16 recitais em 2003, atingindo mais de dois mil alunos da rede estadual de ensino.O projeto “Música e Juventude” prossegue em 2004, sempre às sextas-feiras pela manhã, no auditório do CEFET .Atualmente Frederico Marroquim e Caio Michel Cardoso da Silva, jovem violoncelista, formam o” Duo Camerístico Allegro Giusto”, com repertório erudito e popular, tendo se apresentado por diversas vezes em Teresina, Floriano e Picos. Em 2009, o duo, que já tem mais de dois anos de existência, tem projeto para tocar em diversos colégios da capital, na tentativa de formação de público consciente e crítico, além de descobrir entre os jovens novos talentos. O trabalho do Duo Camerístico Allegro Giusto pode ser apreciado no Youtube. Para isso basta digitar o nome – Frederico Marroquim.